A CORRIDA PELO METRO QUADRADO MAIS VALIOSO DO PAÍS (2/3)
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Na Garrett, o processo de abertura de uma loja tanto pode demorar quatro a seis meses, como vários anos. O tempo de espera depende da disponibilidade de espaços, mas também da possibilidade de se alcançar um acordo tripartido entre o actual inquilino, o proprietário e o novo inquilino. Segundo o director da CBRE, a transacção pode "não se concretizar devido à inexistência de lojas com as características pretendidas, ou por desacordo entre as partes no que respeita às condições financeiras". Esta consultora instalou recentemente as marcas Tous, Havaianas e Stradivarius.
Marcas atraem marcas
Perto da Casa Pereira, mas do outro lado da rua, está outra resistente: a sapataria Helio. Ali, em mais de 30 metros quadrados, estão expostos vários modelos de sapatos clássicos para homem e senhora. "Todos os nossos produtos são nacionais e temos clientes muito antigos, que passam de geração em geração", diz João Manuel, um dos funcionários da sapataria.
Além dos clientes, a sapataria é alvo de outro tipo de visitas. Por ali passam frequentemente investidores que deixam um cartão de visita. A conversa começa sempre da mesma maneira: "Se os donos estiverem interessados em arrendar ou vender a loja...", conta o empregado. "Se acabarem connosco, com a Casa Pereira ou com a florista, a Garrett nunca mais será a mesma", acrescenta João Manuel.
De um lado da barricada estão os pequenos negócios tradicionais, que perdem margem de manobra. Do outro estão as grandes marcas, dispostas a pagarem bem para conseguirem fixar-se na Garrett. Esta é uma zona ‘trendy', que concilia marcas de gama alta com outras mais massificadas, como são o caso da Zara ou da Bershka, do grupo Inditex, fundado por Amâncio Ortega. Segundo apurou o Diário Económico, Ortega, um dos homens mais ricos do mundo, continua à procura de espaços disponíveis nesta rua.
"A Garrett é artística, um dos bairros mais antigos e nobres de Lisboa, que se enquadra num contexto de reabilitação da cidade, próxima do Bairro Alto, seguindo as tendências para este tipo de localização", explica Pedro Salema Garção, responsável da Worx. Para este executivo, o eléctrico 28 torna "esta zona ainda mais atractiva para os turistas que querem visitar as zonas históricas da cidade, complementando o passeio com ‘shopping'". Foi o caso de Dan Ekien, um sueco que veio a Lisboa pela primeira vez. "Vim de Estocolmo para conhecer a cidade. É uma visita rápida de três dias", conta Dan. O turista levava na mão um saco da Zara. "Aproveitei para comprar algumas peças. É mais barato aqui do que em Estocolmo", responde.
