Quarta, 13 de Maio de 2026

Crise política arrasa imobiliário

 

Instalou-se uma crise política nos últimos dias que faz pesar sobre o imobiliário uma ‘nuvem negra'. A tentativa de ganhar a confiança dos investidores e das empresas é destruída de um dia para o outro e o recuo no investimento é uma das consequências.


Reis Campos, presidente da Confederação Portuguesa da Construção e Imobiliário - CPCI, revela que neste momento, podem estar em causa todos os esforços feitos para atrair investimento. «Medidas do Governo no sentido de criar incentivos fiscais, iniciativas diplomáticas para captar projectos de investimento, ou os sucessivos apelos aos empresários e investidores para assumirem riscos e apostarem no crescimento das suas empresas ou na reabilitação urbana e no mercado do arrendamento, são naturalmente prejudicadas pelo impasse a que o país foi sujeito», admite.


Luís Lima, presidente da APEMIP - Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal, adianta também que esta crise destrói a confiança dos investidores, internos e externos. «O mais grave de qualquer crise política, como a que estamos a viver é, para os mercados, imobiliário incluído, a falta de confiança gerada, uma desconfiança que alastra até ao descrédito nas instituições. É mau para o ambiente que os mercados saudáveis exigem», alerta.


Também Paulo Silva, director geral da Aguirre Newman e presidente da Associação de Empresas de Consultoria e Avaliação Imobiliária (ACAI) está preocupado com as consequências desta crise política. «A estabilidade política é importante para a criação de um ambiente de confiança ao desenvolvimento. Na actual conjuntura, em que o trabalho visa a redução do défice do Estado e alcançar um equilíbrio orçamental, a existência de um Governo dividido, não-alinhado em relação à estratégia, fragiliza-o e ao país. Não sendo bom para Portugal, não é bom para o imobiliário», resume.


Transacções vão cair de novo


O presidente da APEMIP revela que a principal consequência desta situação é a retracção dos investidores e até de simples interessados em adquirir imóveis. «Com o dramatismo mediático destas crises, as pessoas tendem a esperar para ver, assustadas quanto ao futuro. Há sectores, como o imobiliário, que entram em verdadeira estagnação. Contrariar isto é muito difícil, mas é indispensável, para a própria economia do país», salienta Luís Lima.

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(continua)