
Reis Campos lembra ainda que a responsabilidade dos políticos é evitar a paralisação económica. «É inadmissível que actividades reconhecidas como imprescindíveis ao crescimento e ao emprego, como a construção e o imobiliário, tenham sido forçadas a um ajustamento violento, que levou à destruição, só no ano passado, de 394 mil postos de trabalho e ao encerramento de 13 mil empresas. Para, de um momento para outro, tudo voltar a ser posto em causa e podermos assistir a um derradeiro colapso», alerta.
Também Paulo Silva admite que a principal consequência da crise é a redução do registo de transacções, decorrente da falta de confiança dos agentes económicos, internos ou externos. «As consequências serão mais nefastas se tardar o restabelecimento de um quadro credível de estabilidade governamental e política, sendo certo que os investidores estrangeiros poderão ser mais exigentes quanto aos retornos requeridos para o investimento imobiliário em Portugal», adianta.
Decisões tomadas podem voltar à estaca zero
Luís Lima entende que a queda de um Governo tem sempre a desvantagem de fazer recuar assuntos que estão por concluir, e faz que decisões, mesmo consensuais entre governos e oposições, regressem à estaca zero. «Aconteceu isso quando caiu o Governo anterior, relativamente ao Arrendamento Urbano e à Reabilitação Urbana, situação que pode ocorrer de novo», refere o presidente da APEMIP.
Paulo Silva entende que os acontecimentos recentes, que sublinham a impreparação política, «fazem-nos perder uma confiança conquistada com muito sacrifício. Não voltámos ao ponto de partida, mas seguramente andámos para trás alguns meses e esperamos que prevaleça o bom senso».
Para Reis Campos a questão não é a queda do Governo, é a credibilidade do país e a capacidade de honrar os compromissos que mais preocupa o sector. Alerta que a CPCI assinou com o Governo um ‘Compromisso para a Competitividade Sustentável', com o objectivo de dinamizar o sector. «É essencial o acesso ao financiamento e o regular funcionamento da economia, que passa pela concretização de uma estratégia de crescimento, com um forte contributo do sector. Se isso não for garantido, o que acaba é o futuro imediato de Portugal», conclui Reis Campos.
Fonte: sol.sapo.pt | 14 de Julho, 2013
