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Os bancos sobreavaliaram as casas que venderam?
Houve muitas trafulhices. Nós dizemos o banco, mas o banco nunca tem rosto. Há avaliadores que chegavam ao prédio e sobreavaliavam para que o banco desse mais dinheiro e eles metessem algum ao bolso. Isto, como dizem agora, são as imparidades. Foram vinte anos, de 1988 a 2008. Muitas pessoas estão a entregar as casas ao banco porque se aperceberam que o banco lhes vendeu casas por 100 mil euros, quando agora está a vender por 50 mil. Então, mais vale voltar ao mercado para comprar mais barato.
Mas que propostas tem a ANP para mudar a situação?
Fomos à Assembleia da República e apresentámos propostas, porque ninguém sabe onde há-de meter estas questões do arrendamento - já passou pelos ministérios quase todos, só ainda não esteve na Saúde. Esteve na Administração Interna, no Ambiente, na Economia e, agora, na Agricultura. A nossa proposta para corrigir as rendas era utilizar o índice de desvalorização da moeda publicado pelo Ministério das Finanças. De há quarenta anos para cá a moeda desvalorizou 50 vezes. Então, um contrato feito com uma renda de 5 euros vezes o factor de desvalorização dá 250 euros nos dias de hoje. Esta seria a renda equivalente. Como as pessoas hoje também já não estão a pagar 5 euros, pagam uma média de 50 euros, teriam ainda um prazo de três anos para se adaptar. Fomos até mais conservadores do que a lei, que não prevê um período de adaptação aos novos valores e o inquilino pode ser posto perante uma renda muito exagerada.
Mas o que está em causa são os valores das casas...
Lamentamos. A casa tem um dado valor, a partir do momento em que se mete aqui o valor do rendimento do inquilino ou do agregado familiar, está tudo aboborado. Se é assim, também deviam pôr a Segurança Social a pagar um subsídio de renda. Mas o governo já veio dizer que não há dinheiro. Portanto, o senhorio será a Segurança Social.
Na sua perspectiva os senhorios sempre agiram bem?
Há muitos anos, em todas as ruas do país havia andaimes para fazer a conservação dos edifícios. Porque havia uma lógica entre o rendimento e a conservação. Porque não tenhamos ilusões: quem tem de pagar a manutenção do apartamento é o inquilino, não é o senhorio. Não há omeletes sem ovos. A partir do momento em que se congelaram as rendas deixou de ser possível fazer obras, porque os empreiteiros esqueceram-se de congelar os seus orçamentos.
Qual é o valor médio das rendas em Lisboa e no Porto, por exemplo?
Depende do tamanho e da zona. No Porto, a zona mais barata, que é Campanhã, Bonfim até à freguesia de Cedofeita, Vitória, as rendas são mais baratas. As Antas ou Foz são zonas mais caras. Uma casa de 100 metros quadrados na Rua da Constituição pode valer 500 euros. Em Lisboa são um bocadinho mais caras, mas na zona da Almirante Reis, por exemplo, anda à volta dos 600 euros.
