Terminou o ciclo de taxas de juro baixas
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Igualmente, não surpreendeu o discurso que indicou a continuação do risco de subida dos juros em resposta às pressões inflacionistas, devendo a autoridade monetária manter uma atitude vigilante, embora não transparecesse a intenção de proceder a novas subidas nos próximos meses. Do outro lado do Atlântico, as minutas da última reunião da Reserva Federal (Fed) mostram que há também uma preocupação com as expectativas de inflação, embora a situação seja considerada benigna pois ainda não chegou aos salários, mas o desemprego está a diminuir a passos largos...
De facto, o BCE iniciou o ciclo de subida das taxas directoras, após um período de dois anos em que estas se mantiveram em mínimos históricos. A amplitude do movimento foi de 25 pontos base, elevando a taxa principal de financiamento para 1.25%. Tal como em ciclos anteriores, o BCE afirmou que a decisão de aumentar taxas não significa um pré-compromisso com movimentos idênticos no futuro. Contudo, antecipamos que até ao final do ano o BCE anuncie mais dois aumentos de 25 pontos base, colocando a taxa refi em 1.75%. Os sinais de robustez da actividade económica no conjunto dos países que formam o euro e a aceleração acima do esperado da inflação justificam a inversão do ciclo. Note-se que em Março, a inflação se situou em 2.6%, claramente acima do objectivo do banco central. Iniciado o ciclo de subida de taxas, o BCE ganhará espaço de manobra, caso a manutenção de um movimento altista nos preços das principais matérias-primas se reflicta num arrefecimento da actividade.
Nos EUA, a Fed manteve durante muito tempo uma política de cariz ultra acomodatícia, através da estabilização da taxa dos fed funds próxima de zero. Simultaneamente introduziu o programa de compra de 600 mil milhões de dívida pública até ao fim do 1º semestre de 2011, bem como o programa de aplicação dos vencimentos dos títulos das agências hipotecárias em títulos de dívida pública. Contudo, já foram dados os primeiros sinais de remoção das medidas de cariz extraordinário (medidas quantitativas não convencionais) que inundaram o mercado monetário e a economia de liquidez. Com efeito, a Reserva Federal anunciou que irá diminuir a carteira de MBS em 142 mil milhões de euros, através de vendas mensais de 10 mil milhões de euros.
