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Entretanto, as actas relativas à reunião de política monetária de 15 de Março revelaram que alguns dos seus membros estão preocupados com a possibilidade de formação de pressões inflacionistas, associados à expansão do balanço da autoridade monetária, considerando útil a implementação de uma estratégia de saída das medidas extraordinárias. Relativamente à evolução das taxas directoras, a expectativa é de que o actual intervalo não seja alterado nos próximos meses, embora a avaliação da actividade económica se mostre claramente mais positiva.
Na Suíça, o Banco Central adoptou na última reunião uma postura mais agressiva, referindo que os sinais de retoma da actividade e aceleração da inflação sugerem que o actual cariz expansionista da política monetária não poderá ser mantido. Neste sentido, atribuímos alguma probabilidade para que na reunião de Junho se inicie o ciclo de subida de taxas. Recorde-se que o Banco Nacional da Suíça tem mantido o intervalo da taxa Libor do franco suíço a 3 meses em 0-0.75% e o objectivo para a taxa Libor em 0.25%.
No caso do Reino Unido, a taxa repo do banco central mantém-se por enquanto em 0.5%, apesar da inflação ter ultrapassado os 4%. Mas tal como o BCE, o Banco de Inglaterra deverá iniciar o ciclo de subida de taxas, possivelmente na reunião de Maio. Esta perspectiva reflecte a persistência da taxa de inflação acima dos 4% e o facto de nas actas do último comité de política monetária vários membros referirem a possibilidade de que a tendência de aceleração se mantenha, podendo o índice de preços no consumidor superar os 5%. Todavia, este cenário está ainda sujeito a algum grau de incerteza, tendo em conta as dúvidas quanto à sustentabilidade da retoma económica.
Coincide com o ciclo de subida das taxas de juro na Europa a difícil situação económico-financeira de Portugal, que se tornou no terceiro país da Zona Euro a recorrer à ajuda financeira. Os contornos do pedido, as diligências necessárias em termos política interna e o plano concreto e detalhado da ajuda não são ainda conhecidos, sendo necessário tempo para tomarem forma. No entanto, em termos das exigências a apresentar ao país e das tranches financeiras a distribuir, o FEEF/FMI deverá anunciar o pacote clássico, tal como fizeram à Grécia e à Irlanda. Entretanto, as yields das obrigações portuguesas nas várias maturidades estão de novo sob pressão de subida, após a correcção dos níveis máximos alcançados. Acredita-se que a volatilidade no mercado de dívida irá permanecer até às eleições legislativas de dia 5 de Junho.
Fonte: economico.sapo.pt (11/04/11 09:17)
