A rentabilidade dos fundos é calculada através de uma fórmula com alguma complexidade que propositadamente não utilizarei aqui pois apenas tornaria mais difícil a compreensão daquilo que pretendo transmitir. Para simplificar apresentarei um exemplo do cálculo da rentabilidade apenas para um ano onde as fórmulas a utilizar são relativamente mais simples.
Digamos, assim, que a rentabilidade dos fundos se mede pela variação relativa do valor das suas unidades de participação (UPs), assumindo que não existem distribuições de rendimento no período. Por sua vez, o valor das UPs é calculado dividindo o Valor Global Líquido do Fundo (VGLF) pelo número de UPs emitidas. Finalmente, o VGLF não é mais do que a "situação líquida" do fundo que em cada período anual varia em função do resultado do período e das mais ou menos valias resultantes da venda dos activos (valias reais) ou da valorização destes (valias potenciais). Esquematicamente temos:
Resultado + Mais/Menos Valias = ?VGLF (Rendas - custos)
Para que a rentabilidade dos fundos seja positiva, num determinado período, temos que ter variações positivas do VGLF.
Sendo do conhecimento público que se verificou nos últimos anos uma redução das rendas praticadas, para conhecer a variação do VGLF do fundos falta apenas perceber o que aconteceu ao valor dos activos podendo as variações destes ter compensado essa redução permitindo desta forma manter as rentabilidades.
Existem assim 3 possibilidades:
Hipóteses Resultado Mais/Menos Valias ?VGLF
1ª Hip. ? ? =/?/?
2ª Hip. ? = ? (1)
3ª Hip. ? ? ? (2)
(1) Baixa ligeira (2) Baixa acentuada
Os dados relativos a Setembro de 2010 da APFIPP indicam variações muito suaves da rentabilidade dos fundos abertos, sendo que a rentabilidade média a 1 ano é de 2,94% e a 5 anos é de 3,01%, ou seja, estamos perante uma situação de uma redução insignificante da rentabilidade. Esta situação só não é idêntica nos fundos fechados dadas as elevadas rentabilidades negativas apresentadas pelos fundos do BPN. Será possível que o valor dos activos se tenha mantido ou mesmo aumentado ao longo destes anos quando as rendas têm vindo a baixar, permitindo uma manutenção das rentabilidades? A resposta é: Não. Efectivamente qualquer avaliação de um activo, seja qual for a metodologia utilizada (a valorização dos activos das carteiras tem que estar suportada por duas avaliações e de acordo com as novas regras tem de ser igual à média das duas), leva em consideração o valor das rendas e a respectiva evolução. Para evidenciar esta situação apresentamos em seguida dois dos métodos utilizados nas avaliações:
