O QUE MUDOU NO IMOBILIÁRIO DEPOIS DO 25 DE ABRIL

Entretanto, entrámos na Comunidade Económica Europeia em 1986 e tudo mudou. «A posterior liberalização/privatização de sectores como a banca deu início a um novo ciclo de crescimento económico, em que esta actividade assumiu, de forma inequívoca, o seu papel de motor do desenvolvimento», explica Reis Campos. Chegou depois a Expo 98 e o mercado imobiliário em Portugal transformou-se radicalmente. Até 2005 foram desenvolvidas grandes obras, sendo a época dourada do sector.
Reis Campos lembra ainda um início da década de 90 marcado por outra crise, contudo o país foi capaz de suprir as necessidades habitacionais, de se modernizar e de criar infra-estruturas, aproveitando fundos comunitários. «Durante esta década, o sector liderou o crescimento da economia portuguesa, contribuindo para um dos melhores períodos e permitindo uma nítida recuperação face a outros países europeus», salienta.
Também Luís Lima, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal, revela outras mudanças importantes que se registaram depois do 25 de Abril. «Passou-se, por exemplo, de uma baixa percentagem de habitações com luz eléctrica e água canalizada para uma realidade diferente, em que a maioria das casas passou a ter isso e muitas também ligações a redes de saneamento básico, antes quase só existentes em alguns centros das cidades».
Portugal passou a ser um país de proprietários
O responsável adianta também que Portugal deixou de ser um país de poucos proprietários e muitos arrendatários, para se tornar noutro onde a maioria das famílias foi incentivada, pelo Estado e pelo sistema financeiro, a ter casa própria, paradigma do final do século XX. Segundo o censo realizado pelo INE em 2001, existiam quase 2,7 milhões de proprietários para menos de 0,9 milhões de inquilinos. Quatro décadas antes, em 1960, eram menos de um milhão de proprietários para quase 1,6 milhões de inquilinos.
Luís Lima refere ainda que a dimensão das casas também sofreu alterações e o espaço por habitante aumentou significativamente. «Considerando a área útil das habitações, direi que as novas e as reconstruídas são maiores ou albergam menos gente, admitindo que este aumento de espaço por habitante esteja também a diminuir, embora já não para os valores mínimos de há 40 anos», esclarece.
