Neste cenário a economia em vez de recuperar afunda-se ainda mais
O presidenta da APEMIP revela que a principal consequência desta situação é o agravamento de uma tendência perigosa para a economia e na retracção dos investidores e até de simples interessados em adquirir imóveis. "Com o dramatismo mediático destas crises, as pessoas tendem a esperar para ver, assustadas quanto ao futuro. E neste quadro há sectores, como o sector imobiliário, que entram em verdadeira estagnação. Contrariar isto é muito difícil, mas é indispensável e não apenas ao sector. É indispensável para a própria economia do país que neste cenário em vez de recuperar afunda-se ainda mais", salienta Luís Lima.
Transacções vão cair novamente
Também Paulo Silva admite que a principal consequência da crise no sector é a redução do registo de transacções decorrente da falta de confiança dos agentes económicos, tanto internos como externos. "As consequências serão tão mais nefastas quanto mais tardar o restabelecimento de um quadro credível de estabilidade governamental e política, sendo certo que os investidores estrangeiros poderão ser mais exigentes quanto aos retornos requeridos para o investimento imobiliário em Portugal, que como todos sabemos se tem caracterizado volumes muito baixos", adianta o director da Aguirre Newman.
Se o Governo cair muitas das decisões tomadas podem voltar à estaca zero
Luís Lima é de opinião que a queda de um Governo fora do termo da respectiva legislatura tem sempre a desvantagem de fazer recuar assuntos que estão por concluir, em evolução, às vezes faz que que certas decisões, mesmo consensuais entre Governos e oposições, regressem à estaca zero, com toda a perda de tempo que tal implica. "Aconteceu isso quando caiu o Governo anterior, relativamente ao Arrendamento Urbano e à Reabilitação Urbana, situação que pode ocorrer de novo se o actual executivo cair sem cumprir os quatro anos previstos", refere o presidente da APEMIP. O responsável esclarece ainda que "isto é possível, já aconteceu no passado, quase sempre de forma inevitável e em solução assumida como mal menor. Se esse cenário voltar a acontecer, o problema, para o imobiliário, reside especialmente no adiamento de decisões que a economia portuguesa reclama e necessita".
