O arrendamento como alternativa credível e fiável
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Hoje, com o valor actual dos indexantes associados ao crédito habitação, sentimos que o consumidor português está, novamente, a voltar-se para o arrendamento.
No entanto, focalizemo-nos! O problema não está na prestação, mas sim no valor de entrada e nas exigências que as entidades financeiras colocam na aprovação de um financiamento.
O problema não advém da capacidade geradora de fluxos mensais para fazer face ao encargo, mas sim da capacidade de ter ou não capital próprio para a entrada inicial.
Os interessados continuam a ter de ir viver para algum lado. Se não conseguem comprar, é necessário poderem arrendar. Esta mudança de atitude é urgente e irá "aquecer" o mercado imobiliário. O que ouvimos no mercado é que, "quanto mais imóveis tenha para arrendar, mais arrendarei. Há escassez de oferta neste segmento!". Curioso! Há um segmento do mercado imobiliário que vive de escassez de oferta e/ou excesso de procura.
Os comuns manuais de economia exigem-nos que adequemos estas realidades e que nos profissionalizemos naquilo que o mercado nos pede. Esta profissionalização passa, em grande parte, por serem criadas as condições de segurança e garantia do cumprimento dos contratos de arrendamento. O Novo Regime do Arrendamento Urbano (NRAU) de 2006 deu passos importantes nesta credibilização, permitindo que os proprietários reclamem a dívida após três meses. Mas todos sabemos quantos mais meses e/ou anos terá que aguardar até ter o problema resolvido.
Senhor primeiro-ministro, agora que garantiu a aprovação do OE 2011, peço-lhe, em nome do sector imobiliário: crie ou permita os mecanismos necessários a uma célere resolução judicial dos eventuais incidentes com os contratos de arrendamento. Permita que investidores e proprietários olhem para este subsector como um factor de rendibilidade e liquidez mensal. Quem sabe se, "simplesmente" permitindo que elementos da autoridade tenham capacidade executória da acção de despejo dos não cumpridores, possibilitando que, rapidamente, o imóvel retorne ao mercado e passe a ser e dar rendibilidade.
Luís Mário Nunes
Director-geral ComprarCasa - Rede Imobiliária da APEMIP
Fonte: oje.pt (11/11/10, 00:35)
