Portugal tem os juros mais baixos no crédito à habitação
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Taxas Euribor a subir e bancos a encarecer e a dificultar os créditos à habitação. Este é o cenário que, em traços gerais, caracteriza o mercado português. Porém, este retrato torna-se mais reconfortante para os consumidores, quando se efectua a comparação com os restantes países da Zona Euro. Isto porque, no conjunto dos 16 países, Portugal é que cobra menos pelo crédito à habitação há 11 meses.
Segundo os dados do Banco Central Europeu, a taxa de juro média praticada pelos bancos portugueses nos empréstimos para a compra de casa, aplicada em Junho - últimos dados disponíveis - fixou-se em 1,84%. Este é o valor mais baixo alguma vez cobrado em Portugal e o menor no conjunto dos 16 países da área do euro, o que se repete desde Agosto do ano passado.
Em Junho, a média da Zona Euro fixou-se 3,83%, mais do dobro face aos 1,84% cobrados em Portugal. No pódio dos países com crédito à habitação mais baixo, estão ainda o Luxemburgo (1,89%) e a Finlândia (1,92%).
Feitas as contas, num crédito de 150 mil euros a amortizar em 30 anos, com a taxa de juro média nos 1,84%, as famílias portuguesas estavam a pagar em Junho uma prestação de 542,50 euros, enquanto que com a taxa da Zona Euro nos 3,83%, as famílias europeias pagavam, em média, 701,50 euros. Ou seja, uma diferença de 159 euros. Ao final de um ano, significa que os portugueses estão, em média, a pagar menos 1.900 euros de prestação da casa.
Uma das possíveis razões para esta tendência é o facto de nos créditos no resto da Europa haver uma maior incidência de contratos associados à taxa fixa, o que os impede de oscilarem tanto nas subidas e nas descidas das taxas interbancárias. Por outro lado, e uma vez que os juros são iguais para toda a Europa, custos mais baixos poderão significar que as instituições estrangeiras poderão estar a cobrar 'spreads' mais elevados do que a banca nacional.
De acordo com os mesmos dados do Banco Central, os juros médios cobrados em Portugal estão em queda desde Novembro de 2008. Ao contrário daquilo que acontece com os créditos com taxa fixa no primeiro ano de duração do contrato. A média destes fixou-se em 2,27% em Junho, mantendo-se inalterada face ao mês anterior. Além disso, estes contratos, apesar de estarem abaixo da média da Zona Euro (2,55%), não são dos mais baratos. A Finlândia, Luxemburgo e a Itália oferecem taxas mais baixas nesta modalidade.
Embora os valores do BCE se tratem de médias, a realidade não deverá ser muito diferente. Senão vejamos: o último boletim estatístico do Banco de Portugal mostra que os juros cobrados nas novas operações de crédito, com prazo de fixação inicial de taxa até um ano, foram de 2,25% em Junho, um valor muito próximo dos 2,27% divulgados pelo BCE.
Fonte: economico.sapo.pt (30/08/10 00:05)
