![]()
Construtores, promotores e responsáveis pela comercialização de edifícios sabem que a sustentabilidade pode ser o passaporte para um negócio com grande potencial no futuro. "Este tipo de edifício pode tornar-se, de facto, mais atractivo pelo facto de reduzir os custos de utilização do espaço e proporcionar uma melhor qualidade ambiental e um maior conforto físico e psicológico aos seus utilizadores", defende Mariana Seabra, directora de Office Agency da Jones Lang LaSalle (JLL).
"Porém, enquanto a utilização de materiais e técnicas construtivas sustentáveis não se tornar mais comum no nosso mercado, continuará a ser mais dispendiosa e, como tal, esse custo irá reflectir-se no valor da renda. Por essa razão, as empresas terão sempre de ponderar o custo/benefício de se instalarem num edifício desta natureza, mas à medida que a construção destes edifícios se tornar habitual, e estou convencida que isso vai acontecer a breve prazo, será efectivamente um grande atractivo de comercialização pelos benefícios que proporciona às empresas", ressalva ainda a responsável da JLL.
Amílcar Silva, da Cushman Wakefield, diz mesmo que a domótica pode ser utilizada para aumentar a qualidade de usufruto do espaço de escritório com soluções inovadoras. "E neste ponto concreto não é tão evidente que as empresas estejam dispostas a pagar um prémio por estas inovações, a não ser que considerem que obtenham vantagens evidentes e que possam ser rentabilizadas no decorrer da utilização dos escritórios". João Vargas, da Abacus, até reconhece que "a conjuntura actual poderia levar-nos a pensar que o custo da inovação funcionaria como um entrave à comercialização", no entanto, o que tem observado durante este ano na procura e absorção de espaços de escritórios permite-lhe afirmar que "existe uma opção clara por edifícios novos e mais evoluídos, sobretudo no que se refere a grandes empresas".
E João Nuno Magalhães, da CB Richard Ellis, está mesmo convencido de que os novos conceitos verdes já deixaram de se tornar entraves à comercialização. "Ecologia, eficiência energética e domótica, acrescentam valor a qualquer habitação e o preço desta inovação, hoje, já não representa nenhum obstáculo à sua comercialização".
Quanto ao futuro próximo, é Augusto Silva, managing partner da Invescon, quem prevê a manutenção de algumas limitações de custo. "Contudo, quer as condições, quer a sofisticação e massificação destes sistemas, aliados às questões ambientais e de sustentabilidade irão promover um aumento crescente da sua introdução nos edifícios. Serão potencialmente os edifícios de habitação a beneficiar mais desta evolução, pois passar-se-á de uma situação de preenchimento de necessidades de conforto ou de segurança das pessoas, para uma utilização mais racional de energia e do meio ambiente. Assistir-se-á assim a uma maior aproximação dos edifícios residenciais aos restantes edifícios".
Fonte: oje.pt (20/07/10, 23:12)
