Condições de crédito agravadas na habitação
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Como seria de esperar, a degradação do rating da dÃvida pública portuguesa e o consequente agravamento das condições de financiamento do Estado português estão a propagar-se à s condições de financiamento obtidas pelas empresas e particulares, sendo a face mais visÃvel o agravamento das condições oferecidas aos particulares no crédito à habitação.
Como admitiu o ministro das Finanças, "a crise da dÃvida soberana está a dificultar o acesso aos meios de financiamento internacionais não só ao Governo como ao sector bancário", pelo que é inevitável que as instituições financeiras repercutam nos seus clientes o custo acrescido do seu financiamento.
Apesar de as condições oferecidas já virem a piorar progressivamente há algum tempo, nunca como no último mês se tinha visto um aumento generalizado dos spreads e a redução adicional da percentagem máxima de financiamento por parte de praticamente todos os bancos nacionais.
Os únicos bancos que de algum modo não reviram as suas condições foram os bancos internacionais, pelo facto de poderem continuar a financiar-se internamente junto das casas-mães nas mesmas condições de antes da crise da dÃvida pública portuguesa.
Assim, actualmente, os bancos internacionais apresentam uma vantagem competitiva face aos bancos portugueses pelo facto de terem acesso a fontes abundantes de financiamento e a custos significativamente mais baixos.
Dadas as dificuldades de liquidez dos bancos nacionais não é de esperar que estes se importem muito com a perda de operações para a concorrência.
É também interessante verificar que diversos bancos, para além de terem aumentado os spreads, reduziram ainda mais a percentagem máxima de financiamento. Ou seja, os bancos passaram a exigir aos clientes entradas maiores, o que permite reduzir o risco de perda do banco em caso de incumprimento.
E, como se isto não bastasse, as taxas Euribor subiram este mês, em consequência do aumento da desconfiança entre os bancos no mercado interbancário. Ao contrário do agravamento dos spreads, que só será repercutido nos novos contratos de crédito à habitação, este aumento das taxas será sentido pelos clientes que já possuem crédito à habitação e cujas taxas irão ser revistas em Junho.
Na prática, apesar de o aumento do valor da média mensal da Euribor ter ocorrido para todos os prazos, apenas os clientes que possuem o seu crédito à habitação indexado à Euribor a 3 meses irão ver a sua prestação aumentar, pois relativamente à s outras Euribor a comparação face ao último perÃodo de apuramento da taxa é ainda favorável.
No entanto, apesar desta deterioração das condições oferecidas pelos bancos no crédito à habitação, existem famÃlias que não terão outra solução que não seja tentar encontrar a alternativa menos má. Para essas pessoas, a MoneyGPS apresenta no quadro abaixo o resumo das ofertas actuais de crédito à habitação dos principais bancos.
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Fonte: dn.sapo.pt (04-06-2010)
