Quarta, 13 de Maio de 2026

Bancos 'esmiúçam' vida de quem quer comprar casa

Conseguir a aprovação de um crédito à habitação junto da banca tornou-se numa tarefa ciclópica, ao alcance de poucos. Os níveis de rejeição de novos pedidos de empréstimo são elevados - apesar de a banca não revelar números - e quem o consegue pode considerar-se feliz se o spread negociado não ultrapassar 1,5 pontos.

Com o aumento do desemprego, a precariedade laboral e o consequente aumento do crédito malparado, o risco dos portugueses agravou-se. Além disso, devido à crise da dívida pública, os bancos estão a financiar-se nos mercados internacionais a taxas de juro mais elevadas, obrigando a que se seja mais selectivo na concessão.

As exigências de informação e garantias junto dos potenciais candidatos a um empréstimo à compra de casa aumentaram. Além da habitual informação sobre o agregado familiar, rendimentos auferidos e situação profissional, os candidatos a um crédito têm agora de prestar outros dados.

Alguns bancos estão a exigir informação actualizada (ao último mês) sobre os créditos em pagamento, com o valor das respectivas prestações. Dados que os bancos, normalmente, consultam junto da Central de Responsabilidade de Crédito (CRC) do Banco de Portugal, mas agora fazem uma espécie dupla confirmação junto do potencial cliente.

Por outro lado, a banca recorre com mais frequência à figura do avaliador. Como explica ao DN um gestor bancário, é solicitada a apresentação desta garantia a quem trabalha em determinados sectores de actividade. Ou seja, um empregado da construção dificilmente conseguirá um crédito sem apresentar um fiador, que se responsabiliza pelo pagamento do empréstimo. O sector de actividade a que estão ligados profissionalmente os candidatos a um crédito à habitação passou a ser um ponderador muito importante na determinação do scoring (nota de risco) do cliente.

Os sectores em que os níveis de desemprego são maiores são, pois, ponderados com elevado grau de risco, colocando muitos clientes em patamares de spreads elevados que inviabilizam muitos dos projectos.

Em contrapartida, trabalhadores ligados a actividades em franca expansão, como por exemplo a informática, não encontrarão grandes dificuldades em obter financiamento.

Só com uma declaração de contrato de trabalho sem termo se consegue partir para uma negociação de crédito, bem como com ausência de qualquer divida fiscal e à Segurança Social. A estas acrescem as exigências contratuais, a estabelecer com o banco.

Uma situação que alimentou muito o mercado de compra e venda de casas e consequentemente o crédito à habitação - antes da crise imobiliária actual se instalar - foi o facto de muitos portugueses comprarem uma casa maior, e melhor, depois de venderem a que tinham antes. Por vezes, a compra de casa nova ocorria ainda antes da venda da usada, com a existência de diversos mecanismos de empréstimos a permitirem suportar os dois créditos por determinados prazos.

Como os consumidores conseguiam, desta forma, realizar mais- -valias imobiliárias, podiam pedir um novo empréstimo inferior ao valor da nova casa.

Agora tal já não é possível. Com o mercado de usados estagnado, dificilmente alguém consegue trocar de casa, uma vez que os bancos só emprestam, em média, entre 80 a 60% do valor do imóvel. Já não é possível, pois, realizar mais-valias que colmatem esta diferença, nem existe tão-pouco poupança individual suficiente.

Fonte: http://dn.sapo.pt (30-04-2010)

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Como profissionais imobiliários, os três erros mais comuns que vemos os proprietários cometerem são: 


(continua)